De Caô...
- 8 de mar. de 2020
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Um amigo me disse que um encontro marcado havia dado errado e naturalmente perguntei, “qual foi do caô?” Mas ele não entendeu. Pedi desculpas, esqueci que você não é do Rio, eu disse. O que aconteceu? Refraseei e depois ri de mim... Horas depois, parei pra refletir sobre essa expressão tão tipicamente carioca, eu não sei a origem dela nem o motivo pelo qual ela existe, mas sei que o lugar onde mais se usa é no Rio.
E é uma das palavras que eu mais falo no meu dia a dia e jamais a coloquei em uma crônica. Então essa é toda dela!
Muito útil, indica desde uma mentira qualquer "Joguei um caô na professora", até um insulto mais grave,"Para de caô, mermão!". É versátil e pode anunciar uma ocorrência: "Deu caô na festa", além disso, serve como uma boa saída de emergência, "Se der caô, a gente vaza."
Ao supor mal-entendidos, brigas, guerras e outras catástrofes ou apenas demonstrar preocupação,"Qual foi do caô?" faz essa função.
Muitas vezes dá leveza ao momento,"Ah, foi só um caô", mas também pode ser usada em caso mal presságio,"Sinto que vai dar caô", incredulidade,"É caô, isso?" ou certeza,"Isso, é caô!"
Tem gente que admite: "Gosto de ver um caô de de perto", outros preferem dizer,"Vamos sair desse caô". Amplamente utilizada como repreenção,"Não vem de caô com a minha cara!" , também pode virar ameaça, "Se ele vier de caô..."
Da persona mentirosa, se diz:"Ela é a maior caozeira...", e sabemos o que esperar.
"Sem neurose, sem caô" um mantra para quando tudo parece pior do que é.
O importante é manter a calma e não dar tanto crédito a isso..."Que caô o quê, gente!"
No final, deu certo, "Ainda bem que era só um caô", e termina na rodinha, "Sem caô, tô legal", ou no final de uma festa "foi legal, esse caô".
Março de 2020




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