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SÉRIE: ANEDOTAS - MEU LIMÃO, MEU LIMOEIRO

  • 31 de jul. de 2018
  • 2 min de leitura

O que você faz quando a vida lhe dá limões?




Uma prima com quem eu nunca falo perguntou como eu andava, respondi-lhe que eu estava fazendo o meu melhor com os limões que a vida havia me dado. Ela replicou que estava no mesmo passo...

O ditado que começa com: “Quando a vida lhe der limões...”, jamais foi uma suposição, mas sim uma advertência. Não é "se"a vida te der limões, não! É fato que a vida lhe dará limões. Onde, e quantos limões serão, é uma outra história. O que importa, nessa vida, não é quem você é, mas sim o que você faz com seus limões e ponto.


Hoje em dia, luxo é quando o cidadão ainda dispõe de limões para se lamentar, ou nesse caso, gabar. Pois ao passo que vamos até os limões, uma hora acabam, e Deus me livre de descobrir o que a vida nos dará depois deles.


Certa vez temperei um pedaço de frango com meio limão, e para que sua outra metade não ficasse abandonada ressecando na geladeira, dei-lhe uma espremida simbólica antes de jogá-la na lixeira. Big mistake. O que se faz com os limões da vida é de suma importância.

Naquele mesmo dia, resolvi tomar um chá. Água quente, saquinho mergulhado na xícara, açúcar alado aguardando sua entrada triunfal. Abri a geladeira, remexi, procurei, remexi mais um pouco, e me dei conta de que eu havia usado o último limão, e o pior, eu havia desperdiçado quase metade dele.


Apertei os lábios, indecisa, eu estava sozinha em casa, não havia quem me julgasse. A metade do limão estava no topo do lixo, sem tampa, não tinha nada por cima, uns pedaços de salsinha talvez, nada demais.

Retirei aquele meio limão da lixeira ao passo que punha em seu lugar o último resquício de minha dignidade, lavei-o com delicadeza e dei-lhe uma secadinha com uma folha de papel-toalha, tudo bem higiênico, graças a Deus.


Apertei o limão contra o espremedor em cima da xícara, finalizei com duas colherzinhas de mel e bebi um gole feliz da vida, para depois perceber uma leve nota de chorume ao fundo... Então é isso, pensei, esse é o gosto de beber lixo. É isso que acontece quando você não dá valor aos limões da vida.


Segurei o ímpeto de vomitar; só podia ser psicológico. O limão não tinha ficado nem duas horas no lixo; não havia nada que pudesse ter comprometido, de fato, o sabor daquele chá, a não ser o que, na minha imaginação, era o gosto do lixo na minha boca.


Vou beber até o final por questão de honra, proferi, e bebi. Triste, mas bebi.

Até hoje penso naquela lixeira toda vez que sinto o cheiro de chá. E que fique registrado que eu disse pra minha prima que estava fazendo o meu melhor com os limões que a vida havia me dado. Eu menti.



Julho de 2018

Fonte: capinaremos.com
Fonte: capinaremos.com


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